Analfabetismo Funcional: empresas investem na educação básica

O Analfabetismo Funcional constitui um problema, perverso e silencioso, que além de afetar diretamente as empresas brasileiras pode ser a explicação por estarmos tão atrasados, comparados a outros países ao redor do mundo. Dos 17 países da América Latina, por exemplo, o Brasil aparece em 75° no no ranking mundial de produtividade.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), aponta que, somente com uma alta média de 3% ao ano na produtividade do trabalho, será possível a economia brasileira crescer na casa de 4%, equivalente aos dos países emergentes.

Para tanto, se faz necessário a contratação de mão-de-obra qualificada. E embora  o desempenho da empresa esteja atrelada ao comprometimento do funcionário com seu trabalho, este engajamento não é suficiente: a produtividade depende também da capacidade do profissional.

ANALFABETOS FUNCIONAIS?

Não se tratam de pessoas que nunca foram a escola. Eles sabem ler, escrever e contar; muitas vezes até ocupam cargos administrativos dentro da empresa. Entretanto, o Analfabetismo Funcional trata-se da incapacidade de se compreender a “palavra escrita”.

São aquelas pessoas que preferem ouvir explicações da boca dos seus colegas, pois não confiam na própria capacidade de interpretação.  Livros, artigos, manuais de procedimentos e, até mesmo, computadores os assustam; mesmo aqueles que são responsáveis por ensinar uma nova tarefa ou a operar uma máquina. Na presença do chefe, por outro lado, fingem entender tudo. Depois, é claro, saem perguntando como o serviço deve ser feito.

RECÉM-FORMADOS E INCAPACITADOS

É claro que as deficiências são ainda maiores num país que tem 13,2 milhões de analfabetos, segundo dados do IBGE. Um levantamento do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa indica que 38% de estudantes universitários brasileiros são analfabetos funcionais. Ou seja, são pessoas que entram no mercado de trabalho com dificuldade para realizarem tarefas simples, como a leitura e compreensão de um texto ou um cálculo matemático.

PROBLEMA REQUER SOLUÇÃO A CURTO/LONGO PRAZO

Em virtude deste preocupante cenário que o país vem apresentando, as empresas acabam por assumir esse papel de formação básica pessoal. Investem, então, na qualificação do funcionário: do ensino médio ao universitário, bem como a realização de cursos de atualização profissional.

Infelizmente, os orçamentos para treinamentos e capacitação não são nada generosos e, consequentemente, o desenvolvimento do profissional ocorre numa velocidade menor do que exige o competitivo mercado local e global.

Por isso, fica mais do que claro que temos um problema estrutural de educação no Brasil. O resultado? A baixa capacidade de inovação, dificuldade para interpretar cenários, tomar decisões eficazes e fazer leituras consistentes de contextos – habilidades que são conquistadas por meio dos atos de ler, escrever, debater e criar!

Este desenvolvimento, por sua vez, ocorre – ou deveria ocorrer – na escola e no estudo disciplinado, desde cedo, na formação do ser humano. E ao refletirmos sobre isso, é inevitável que surja em nossa mente o revoltante, mas necessário, questionamento: “Até quando, Brasil?

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